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"Apocalipse Now"

Marilyn Manson: sacrilégio nas telas
Hoje vou falar um pouco de cinema. Ontem, navegando pelo New York Post, dei de cara com uma notícia que vai dar muito o que falar. O cantor Marylin Manson vai fazer o papel de Jesus Cristo no cinema. Ora, se o "todo certinho" Mel Gibson conseguiu atrair a ira de judeus do mundo inteiro, agora é a vez do "nada corretinho" Manson, atrair para si a ira dos cristãos, que já não o vêem com bons olhos.
O filme que será estrelado pelo polêmico roqueiro não será um épico. O longa vai ser dirigido pelo cineasta "cult" (???) George Romero, o mesmo do clássico trash "A Noite dos Mortos Vivos" e vai contar a história de uma roqueira que faz pacto com o demônio.
Manson já foi acusado de satanismo por seu visual exótico e suas apresentações performáticas e, justamente a ele, caberá o papel de Jesus Cristo. Parece piada, né? E é mesmo! "Diamond Dead" é o nome do filme, uma comédia de humor negro (e põe negro nisso), que começa a ser rodada no próximo mês e deverá ser lançada antes do final do ano.
Segundo a matéria do "NYPost", numa das cenas, Jesus Cristo vai aparecer fumando maconha. Isso pra dizer o mínimo. A trilha do filme vai ficar por conta de Richard Hartley, o mesmo compositor de "The Rock Horror Picture Show".
"Diamond Dead" vai contar a história de Aria De Winter (não, não é um travesti!), uma aspirante a cantora que quer entrar para uma banda de rock de sucesso, a Diamond Dead (que batiza o filme). Acidentalmente, ela mata todos os integrantes da banda e, para trazê-los de volta à vida, é obrigada a fazer um pacto com o diabo. Os integrantes revivem, mas, como parte do trato, Aria terá que matar 365 pessoas.
Para cumprir a missão, ela vai contar com o "auxílio luxuoso" dos integrantes da banda... Mais trash impossível!
A última aparição de Marilyn Manson no cinema foi no já clássico "Party Monster", onde surge na pele da ultra-trash-drag Christina, pilotando o caminhão-baú, onde Michael Aligh (MaCauley Kulkin), promove uma de suas badaladas festas.
A Liga das Senhoras Católicas vai adorar esse filme.
Escrito por Nivaldo às 15h08
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Quem Procura Acha...
E a polêmica sobre a matéria publicada no The New York Times, que fala dos hábitos etílicos do presidente Lula, continua dando muito o que falar. Agora, de tudo o que já foi publicado a esse respeito, resolvi destacar para vocês, um trecho do artigo publicado na edição de ontem do O Globo, na coluna do Artur Xexéo. Veja só o que ele escreveu:
"Acho que todo mundo concorda com a impressão de que o correspondente do “New York Times” pegou pesado ao descrever os hábitos etílicos de nosso presidente. O repórter exagerou e foi irresponsável. Mas também não dá para livrar a cara de Lula. Não dá para o governo reagir como se Lula fosse integrante da Liga Antialcoólica e estivesse sendo injustiçado. Lula deu margem para que um repórter irresponsável fizesse a “reportagem” que o “Times” publicou. É isso que dar ir ao programa do Ratinho e ficar bebendo cachaça com o apresentador. É isso que dá não se preocupar em aparecer em público com copos de uísque na mão. É isso que dá tentar manter sua popularidade prestigiando o consumo de “uma cervejinha” em churrascos na Granja do Torto.
Há uma tendência de desculpar todas as bobagens de Lula com a alegação de que o eleitor sabia que ele era assim. Sabia, sim. Mas esperava que, ao ocupar a Presidência, Lula respeitasse o que se convencionou chamar de liturgia do cargo. Não é verdade, como disse o jornal americano, que a nação se preocupa porque o presidente bebe demais. E só o fato de isso ser mentira já desqualifica a reportagem. Mas que toda a nação percebe que Lula bebe mais do que ela se acostumou a ver um presidente fazer é a mais pura verdade".
É, mas essa pendenga está longe de acabar. Hoje o presidente Lula e seu ministro interino da justiça, sofreram uma derrota no Supremo Tribunal de Justiça. É que o ministro Peçanha Martins, do STJ, concedeu salvo-conduto ao jornalista americano William Larry Rohter Junior, para que ele permaneça no Brasil. O Ministério da Justiça já foi informado oficialmente da decisão e estuda quais providências serão tomadas. A decisão foi concedida com base no habeas corpus apresentado pelo senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Pela decisão, o jornalista poderá ficar no país até que o mérito seja apreciado pelos demais ministros que integram a Primeira Seção do STJ, o que ainda não tem data confirmada.
No pedido, o senador afirma que o ato praticado pelo ministro interino da Justiça, no dia 10, viola os princípios de liberdade de expressão e liberdade de imprensa. "O ato é inteiramente ilegal, violador de diversos direitos e garantias fundamentais do indivíduo previstos na própria Constituição da República", afirmou.
Outros habeas corpus em favor de Rohter, além do apresentado pelo senador, foram apresentados nesta quinta-feira ao STJ.
Um deles pelo advogado André Luiz Eiró do Nascimento, que, segundo a assessoria do tribunal, não trabalha para Rohter.
No pedido, Eiró alega que o ministro da Justiça só tem poder para impedir o registro e que apenas o presidente da República pode cancelar o registro de estrangeiro que já se encontra feito. E isso só pode ser feito por meio de decreto de expulsão, após o devido processo legal. Ora, nem processo abriram contra o jornalista...
Além disso, o advogado afirma que, caso fosse admitido que o ministro da Justiça é competente para o cancelamento do registro, o repórter não poderia ser expulso do país, já que possui mulher e filho brasileiros. Isso mostra o quão precipitada e autoritária foi a decisão do presidente Lula.
O terceiro habeas corpus deu entrada no STJ no início da tarde desta quinta-feira e seu autor é o advogado e jornalista Bension Coslovski.
É, tudo isso aínda vai render muito Coió nesse governo, que tenta, tenta e não acerta uma. Onde já se viu, expulsar um repórter, por mais leviano que possa ter sido o artigo assinado por ele, só porque expôs para o mundo um hábito que o presidente, aqui dentro não faz a menor questão de esconder? Ao decidir pela suspensão do visto do jornalista e, consequentemente, sua expulsão do país, Lula só mostrou destempero, autoritarismo, despreparo e total desconhecimento da Constituição, que ele, como deputado federal, ajudou a escrever e promulgar em 1988. Santa ignorância Senhor Presidente, e não é porque o senhor se auto-proclama semi-analfabeto, não.
Escrito por Nivaldo às 11h27
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Dia de Nossa Senhora de Fátima
No dia 13 de maio de 1917, três crianças estavam pastando com suas ovelhas a dois quilômetros de Aljustrel, lugarejo de Portugal conhecido como "Cova da Iria". Foi quando apareceu uma Senhora toda vestida de branco, segurando um terço também branco, espalhando uma luz muito intensa e cristalina. A imagem não revelou sua identidade naquele primeiro encontro e aquela visão foi transmitida de boca em boca, sem, entretanto, tornar-se sensação de um dia para o outro. Após a segunda aparição, mais pessoas começaram a juntar-se às crianças videntes. A bela Senhora disse que em outubro revelaria sua identidade e também faria um milagre para os mais incrédulos.
As aparições começaram chamar a atenção no mundo inteiro. Em setembro a multidão já ultrapassava 25 mil pessoas.Finalmente no dia 13 de outubro ocorreu o grande milagre. Naquele dia setenta mil pessoas presenciaram o que foi prometido por Nossa Senhora. Chovia muito, mas de repente, do meio das nuvens carregadas, o sol surgiu e começou a girar sobre si mesmo, iniciando uma dança no firmamento. Como uma imensa bola de fogo, parecia querer precipitar-se sobre a Terra. E então ela revelou-se Senhora do Rosário, e pediu que construíssem uma capela naquele local em sua honra. O pedido foi prontamente aceito e hoje no local encontra-se o maior santuário dedicado à Mãe de Jesus Cristo no mundo, o Santuário de Fátima.
A primeira aparição de Nossa Senhora aos três pequenos pastores portugueses, completa hoje 87 anos.
Oração à Nossa Senhora de Fátima
Santíssima Virgem, que nos montes de Fátima vos dignastes revelar a três pastorinhos os tesouros de graças contidos na prática do vosso santo Rosário, incuti profundamente em nossa alma o apreço em que devemos ter esta devoção, a vós tão querida, a fim de que, meditando os mistérios da Redenção, que neles se comemoram, nos aproveitemos de seus preciosos frutos e alcancemos a graça (faça o seu pedido) que vos pedimos, se for para a glória de Deus e proveito de nossas almas. Assim seja. Rezar 1 Pai-nosso, 1 Ave-Maria, 1Glória ao Pai
Escrito por Nivaldo às 09h08
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Perguntar Não Ofende
O cantinho da "Celebridade" está de volta, e dessa vez rapidinho e sem fotos!
Afinal de contas, Maria Clara Diniz mora em Ipanema ou na Barra? Perguntar não ofende, mas por quê será que quando ela vai caminhar no calçadão, troca o passeio da Vieira Souto pelo da Avenida das Nações? Nossa, ela deve gostar de dirigir, porque sair de Ipanema, pra fazer cooper na Barra... tem que atravessar a Vieira Souto, Delfim Moreira, Niemeyer, São Conrado, correr o risco de levar um tiro na Roçinha, cruzar o Túnel Dois Irmãos... ufa... só sendo mesmo Maria Clara Diniz.
E por quê será que o Hugo só leva a filha de Maria Clara pra passear também no calçadão da Barra? Será pelo mesmo motivo? Até a empregada da heroína, quando vai encontrar com o michê Marcos, também prefere o calçadão da Barra. Será que é porque a direção da novela pensa que não dá pra notar a diferença entre a Vieira Souto e a Avenida das Nações? Ora se até eu, que moro em Fortaleza, sei diferenciar isso, o que dizer então de quem vive lá mesmo no Rio de Janeiro?
Que saudade de "Mulheres Apaixonadas", que não maquiava o Leblon. Tudo era gravado alí, entre os moradores e os demais mortais que estivessem por perto. Definitivamente, "Celebridade" peca pelo descuido... francamente!!!
Escrito por Nivaldo às 23h18
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A Carapuça Serviu

Não é segredo pra ninguém que nosso presidente é chegado a uma boa dose de whisky. Se for cachaça então...Também não é segredo que os jantares, almoços e churrascos promovidos por ele, são fartamente regados à doses cavalares de álcool. As farras etílicas promovidas por Lula e sua afeição à bebida, nunca foram escondidas de ninguém, muito menos da imprensa. O jornalista Diogo Mainardi, em um artigo na revista Veja, já havia levantado essa bola há cerca de um mês. Agora o pendor etílico de Lula ganhou as páginas de um dos mais importantes jornais do mundo, o The New York Times.
A edição de domingo do NYT, trouxe uma matéria, assinada pelo repórter Larry Rohter Junior, que começava assím: "Luiz Inácio Lula da Silva nunca escondeu seu apreço por um copo de cerveja, uma dose de uísque ou, melhor, um trago de cachaça, a potente aguardente do Brasil. Mas alguns de seus conterrâneos começaram a se perguntar se a predileção do presidente por bebidas fortes está afetando sua atuação no governo.
Nos últimos meses, o governo de esquerda de Lula tem sido atacado por uma crise atrás da outra, variando de um escândalo de corrupção ao fracasso de programas sociais cruciais. O presidente tem se mantido distante das atenções e deixado seus assessores fazerem grande parte do trabalho pesado. Isto tem provocado especulação de que seu aparente não envolvimento e passividade poderiam estar de alguma forma ligados ao seu apreço pelo álcool. Mas aqueles que o apóiam negam os relatos de consumo excessivo de bebida.
Apesar de líderes políticos e jornalistas estarem cada vez mais falando entre eles sobre o consumo de álcool de Lula, poucos estão dispostos a expressar seus receios publicamente. Uma exceção é Leonel Brizola, o líder do Partido Democrático Trabalhista de esquerda, que foi companheiro de chapa de Lula na eleição de 1998, mas que agora teme que o presidente esteja "destruindo os neurônios em seu cérebro".
A publicação da reportagem, foi suficiente para iniciar uma crise internacional de repercussão negativa, para a já arranhada imagem do Brasil. Para retaliar, o que classificou de "sandice", o governo brasileiro resolveu cancelar o visto de permanência do jornalista no País, impondo, de forma velada, uma censura que não é comum nas democracias. O que o governo fez ontem, foi aquilo que mais aboliu nos anos da didatura, pura censura! Com base numa lei de 1980, da época dos ditadores militares, o Ministério da Justiça divulgou uma nota informando a suspensão do visto de Rohter, alegando que a matéria é mentirosa, leviana e prejudicial ao País e mais, que o NYT atacou a imagem de um estadista que merece respeito. Lula por sua vez, ao ser indagado por jornalistas sobre o assunto, disse: "Esse caso não merece resposta, merece ação". E ação foi rápida e fulminante.
Pois bem, se a matéria é mentirosa, pra quê então fazer esse estardalhaço todo? Se é sandice, por quê então dá "eco" ao assunto? Se é desrespeitosa à imagem do Presidente, por quê não pedir retratação do jornal? Não, o governo optou por mais uma das suas inúmeras "trapalhadas" e, a atitude de "expulsar" o repórter, só causou repercursão negativa. Ou seja, "a emenda ficou pior que o soneto". Hoje, os principais jornais do mundo trazem, em suas primeiras páginas, o assunto. Do "Clarin" de Buenos Aires, ao "The Washington Post" e (claro) "The New York Times", dos Estados Unidos. Do "El País" da Espanha, ao "Le Monde" da França. Até o "The Jerusalem Post" de Israel, trata do assunto em sua edição de hoje e, mesmo publicações mais austeras como o "The Financial Times" e "The Guardian" de Londres, também perguntam "por quê o governo do Brasil tomou essa atitude"? Afinal, vivemos ou não numa democracia onde a liberdade de imprensa deveria ser praticada?
Rapidamente, simpatizantes do governo do PT, como José Genoíno, saíram em defesa de Lula e da medida. "Precisamos preservar a honra do nosso presidente. É assím que as grandes nações agem", disse um Genoíno com pose de General. É, quem te viu e quem te vê. O ministro Márcio Tomás Bastos, que está na Suíça, apressou-se em dizer que não fez parte da equipe que tomou a decisão. Ora, mas não é ele o Ministro da Justiça? Ah, mas quem assinou a nota divulgada ontem foi o interino, Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto que disse considerar "inconveniente" a presença do repórter americano no País. Lula, hoje vai ter que enfrentar mais uma "saia-justa"; tem um encontro com a embaixadora americana no Brasil, que já estava agendado antes do "incidente", e certamente vai ter que enfrentar o "assunto".
Representantes da OAB, instituições que reúnem os correspondentes estrangeiros no País e a imprensa em geral, se manifestaram contra esse "vascilo" do governo. Se o presidente não quer aparecer como um grande apreciador dos derivados do álcool, que pare então de desfilar com copos na mão. Artur Xexéo, no "O Globo" já até havia sugerido que ele, Lula, de vez em quando, aparecesse com um livro no lugar do copo... Ah, mas nosso presidente, não gosta de ler. Ele gosta mesmo é de beber e pelo jeito a "carapuça" caiu como uma luva.
Escrito por Nivaldo às 08h12
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Que os Anjos digam Amém!!!

"Angels In America", que estreou nesse domingo no canal pago HBO, rendeu um espetáculo na Broadway e surgiu como um acerto de contas interno contra a hipocrisia da era Reagan, que criminosamente tentou varrer para baixo do tapete a primeira fase da epidemia de Aids, o que a fez se alastrar pelo mundo. O texto foi escrito por Tony Kushner, gay, socialista e judeu; e resgatou com força o teatro de texto, em uma fase que ele cedia ao espetáculo, e ganhou todos os prêmios possíveis. A peça conheceu sua definitiva consagração em sua adaptação para a TV, dirigida por Mike Nichols, que a HBO transmitiu para 30 milhões de lares nos Estados Unidos, no ano passado. Com o homossexualismo necessitando de um esforço menor para ser aceito, graças a sitcoms conservadores com protagonistas gays, os norte-americanos médios se enterneceram com os anjos e os desvalidos, como se não houvessem entrado em um novo ciclo de puritanismo e discriminação. "O grande mérito, portanto, de "Angels in America" hoje é o de demostrar que os gays podem ser tão convencionais, tão enternecedoramente comuns em seus conflitos amorosos e existenciais quanto os heterossexuais que os descriminam". Escreveu o crítico Sérgio Sálvia Coelho, na Folha de São Paulo.
Agora chegou a vez de nós, americanos mais ao sul, podermos também ver esses anjos. De uma só vez, a HBO apresentou os três primeiros capítulos. Os outros três, irão ao ar domingo que vem. A qualidade técnica da série é inquestionável, com seu roteiro simples, e diálogos ágeis e bem-humorados que disfarçam a pieguice verborrágica que um melodrama como esse sugere. Confesso que fiquei de boca aberta logo no início, ao ver Maryl Streep interpretando um rabino Ortodoxo, conduzindo o serviço religioso pela morte de uma judia numa sinagoga do Brooklyn. O que era aquilo? Que barba era aquela? Show!!! Pra dizer o mínimo. O quê dizer então de Al Pacino no papel do gay conservador? Marie-Louise Parker faz, com uma verdade cativante, a dona-de-casa mórmon viciada em Valium para enfrentar o homossexualismo do marido; e Emma Thompson (brilhante, como sempre) faz uma enfermeira com perfeito sotaque americano (ela é inglesa) e um talento muito além do necessário para o papel.
Mas o espetáculo da HBO não pára por aí. A história começa em 1985 e o mundo estava assustado. Nos Estados Unidos, a Aids, uma nova peste, matava cada vez mais gente, e o presidente Ronald Reagan suscitava sentimentos contraditórios na população. Segundo o autor, "basicamente esta é a história de um grupo de homossexuais nova-iorquinos em 1985 e 1986. É uma obra que fala muito dos sentimentos íntimos, mas também de preocupações teológicas e metafísicas, e tem uma dimensão sobrenatural", tentou explicar Kushner, à época do lançamento da minissérie nos Estados Unidos, em dezembro.
Dito assim, "Angels in America" parece sombria e hermética. Mas não é: mesmo as cenas mais dramáticas são revestidas de um humor irônico, e as doses cavalares de fantasia amenizam a seriedade dos temas. Numa das melhores cenas, uma personagem que está tendo alucinações invade o sonho de outra, iniciando um diálogo fundamental para a trama. É a partir daí que tudo cria um sentido absurdo.
"Angels in America" traz diversas histórias paralelas que se entrelaçam. Uma delas é a de Louis (Ben Shenkman), um jovem que larga o namorado, Prior (Justin Kirk), quando este começa a manifestar os sintomas da Aids. Outra é a de Roy Cohn, advogado veterano (Al Pacino) que enfrenta ao mesmo tempo a ameaça de cassação e a doença. Há ainda Joe, o jovem mórmon (Patrick Wilson) que custa a sair do armário e cuja mulher, Harper (Mary-Louise Parker), vive à base de calmantes.
Como é comum no teatro, mas não na TV, Emma Thompson e Meryl Streep fazem diversos papéis na minissérie. Emma interpreta um anjo, uma sem-teto e uma enfermeira gay. Meryl, uma mãe conservadora, um rabino (como já falei), um anjo e Ethel Rosemberg, do rumoroso caso Rosemberg, em que um casal foi executado sob acusação de espionagem.
Os anjos de que falam o título entram na história a partir do terceiro capítulo, para dar uma missão a Prior: querem que ele se torne uma espécie de profeta. A partir de seu aparecimento, a história revela-se francamente otimista: sim, é possível enfrentar com dignidade qualquer situação. Até a morte anunciada.
"Angels in America" é uma história de esperança e coragem. Coragem de enfrentar algumas das coisas que mais nos assustam na vida, a perda do amor e da integridade física.
A peça "Angels in America" levou o Tony Awards, e a minissérie arrebatou cinco Globos de Ouro. Pode-se perguntar por que o autor decidiu voltar a falar da Aids num momento em que suas vítimas têm sobrevida muito maior do que há 15 anos e em que ainda é cedo para analisar suas conseqüências para a sociedade. Mas, para o público americano, pelo menos, isto pouco importou.
Que os anjos salvem a América do Norte, porque ela precisa muito.
Ah, e se você não tem como sintonizar a HBO, não se preocupe. "Angels In America" já deve estar lhe esperando numa locadora pertino da sua casa, em VHS ou DVD... se jogue!!!
Escrito por Nivaldo às 17h38
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